A condução de exames em Computação Forense voltados à extração e análise de dados em dispositivos móveis (smartphones com sistemas iOS e Android) fundamenta-se, em grande parte, na reconstituição de artefatos armazenados em bancos de dados relacionais SQLite. Aplicativos de mensageria instantânea, históricos de navegação, registros de chamadas e geolocalização utilizam essa estrutura para armazenamento local. Contudo, a simples extração do arquivo de banco de dados principal (.sqlite, .db ou .store) pode resultar em um diagnóstico pericial incompleto se a análise não contempar rigorosamente os arquivos auxiliares de transação.
Em arquiteturas modernas de banco de dados móveis, o modo de concorrência e desempenho padrão é o WAL (Write-Ahead Logging). Nesse formato, em vez de gravar alterações diretamente no arquivo de banco de dados principal, as operações de escrita (INSERT, UPDATE, DELETE) são inicialmente adicionadas a um arquivo temporário de log com a extensão -wal (acompanhado pelo arquivo de memória compartilhada -shm). As informações retidas no arquivo WAL só são consolidadas no banco principal após o evento de checkpointing, que pode não ter ocorrido no momento exato em que a imagem forense foi gerada.
Sob a perspectiva da perícia computacional e da assistência técnica, a não verificação do arquivo WAL pode ocultar evidências determinantes ou gerar falsas conclusões sobre a ausência de registros. Registros recém-criados, mensagens apagadas que ainda persistem no log e metadados de transações incompletas residem com frequência nessa região de memória temporária. Portanto, a metodologia pericial exige a extração conjunta do trio de arquivos (banco principal, -wale -shm), o parsing adequado por ferramentas homologadas (como IPED, Autopsy ou scripts Python customizados) e a documentação minuciosa na cadeia de custódia, garantindo a auditabilidade e a irrepetibilidade da prova pericial em juízo.
