Sec Day Sucesu/PR – Conectividade e Cibersegurança

Em 12/08/2026, o Grupo Técnico de Cibersegurança do Grupo de Usuários CIO’s da Sucesu/PR, reuniu-se no Vale do Pinhão em Curitiba/PR, com transmissão ao vivo pelo Youtube, para a seguinte pauta:

O material das palestras pode ser acessado através do hiperlink nos títulos das formações (acima).

A íntegra do evento pode ser vista através do Youtube, no link https://youtu.be/jAlC5oKvd3A

Agradecemos a todos os participantes presenciais e remotos, aos membros do GU que transmitiram, ao Presidente da Sucesu/PR Sr. Fernando Misato e à Assessora Executiva Sra. Marise Pereira que viabilizou o evento.

Aos participantes que desejarem o Certificado de Participação, por gentileza enviem um e-mail com o assunto Certificado Sec Day para [email protected].

Epistemologia da segurança em APIs: modelagem de Ameaças, mitigação de BOLA/BFLA e formação de arquitetos de software

A consolidação de arquiteturas orientadas a serviços (SOA) e o ecossistema de microsserviços impulsionaram o uso de Interfaces de Programação de Aplicações (APIs RESTful e GraphQL) como a espinha dorsal da integração de sistemas digitais. Contudo, a evolução dos modelos pedagógicos de ensino em Engenharia de Software não acompanhou a velocidade dessa transição paradigmática, mantendo o foco do aprendizado na construção de rotas funcionais e na serialização de dados, em detrimento do endurecimento dos mecanismos lógicos de controle de acesso. Essa assimetria educacional reflete-se na alta prevalência de vulnerabilidades de autorização na camada de aplicação, com destaque para a Quebra de Autorização em Nível de Objeto (BOLA – Broken Object Level Authorization) e Quebra de Autorização em Nível de Função (BFLA – Broken Function Level Authorization).

A vulnerabilidade BOLA (classificada como a principal ameaça no OWASP API Security Top 10) manifesta-se quando a aplicação valida a autenticação do usuário via token (JWT/OAuth2), mas falha em verificar se a identidade autenticada possui autorização expressa para manipular o recurso específico solicitado via parâmetro de rota ou corpo da requisição. Sob a perspectiva da arquitetura de software, essa falha decorre da ausência de verificações de contexto no nível de código de domínio (Domain Logic), permitindo que atacantes executem enumeração de identificadores (IDOR) e acessem dados sensíveis de múltiplos usuários. Paralelamente, o BFLA ocorre quando endpoints administrativos ou de privilégios elevados não impõem restrições de escopo, permitindo que usuários com perfil ordinário invoquem métodos restritos diretamente na camada de API.

Nesse contexto, os frameworks educacionais e de mentoria em tecnologia devem reestruturar suas matrizes curriculares para integrar a Modelagem de Ameaças em APIs (API Threat Modeling) desde a fase conceitual. É imperativo capacitar estudantes e desenvolvedores no uso de arquiteturas de autorização centralizadas (ABAC/RBAC), na validação rigorosa de esquemas de entrada (Input Schema Validation), na limitação de taxa de requisições (Rate Limiting) e na auditoria contínua do tráfego de saída. Incorporar o ceticismo metodológico e a mentalidade defensiva no desenvolvimento de APIs é o pré-requisito fundamental para formar engenheiros e pesquisadores capazes de construir ecossistemas digitais seguros e escaláveis.

Governança C-Level e Cyber Insurance: auditoria de subscrição, cláusulas de exclusão e gestão de riscos financeiros em cibersegurança

A consolidação do risco cibernético como um dos principais passivos contingentes do balanço patrimonial corporativo impulsionou a adoção em escala global do Cyber Insurance (Seguro Cibernético) como instrumento de transferência de risco. Contudo, o aumento exponencial no volume e na severidade dos sinistros, decorrentes de ataques de extorsão por ransomware e exfiltração em massa de dados, provocou um endurecimento sem precedentes no mercado ressegurador. Sob a perspectiva da governança corporativa e do gerenciamento de riscos C-Level, a obtenção e manutenção de apólices de seguro cibernético exigem agora a comprovação empírica de maturidade defensiva e a gestão criteriosa de cláusulas contratuais restritivas.

A mecânica do processo de subscrição (Underwriting Process) em apólices de Cyber Insurance evoluiu de questionários declaratórios estáticos para auditorias técnicas de conformidade operacional. As seguradoras estabeleceram requisitos mínimos de elegibilidade sem os quais a proposta é sumariamente rejeitada ou sobrecarregada com prêmios e franquias proibitivos. Entre os controles mandatórios destacam-se a implementação universal de Autenticação Multifator (MFA) para acessos remotos e privilégios elevados, a arquitetura de backups isolados e imutáveis (Air-Gapped/Immutable Backups), e a cobertura total por soluções de Detecção e Resposta em Endpoints (EDR/XDR). O desalinhamento entre as declarações prestadas no questionário de risco e a realidade técnica apurada após um sinistro fundamenta a negação legítima de cobertura por vício de declaração.

Adicionalmente, conselhos de administração e comitês de auditoria devem atentar para as evoluções regulatórias e jurídicas pertinentes às cláusulas de exclusão por atos de guerra ou ataques patrocinados por Estados-nação (War and Cyber Operations Exclusions). A atribuição pericial de ataques cibernéticos a grupos apoiados por governos estrangeiros (State-Sponsored Threats) tem sido frequentemente invocada por seguradoras para afastar a obrigação de indenizar prejuízos operacionais e lucros cessantes. A neutralização desses passivos exige que a alta administração conduza simulações periódicas de resposta a incidentes integradas às exigências da apólice, assegurando que o Cyber Insurance atue de forma complementar a uma arquitetura de resiliência cibernética intrinsecamente robusta.

Sec Day Sucesu/PR – 12/08/2026 – 19h

Promoção: SUCESU/PR
Data: 12/08/2026 – Quarta-feira
Horário: 19 às 21h
Custo: Gratuito
Link do Youtube: https://www.youtube.com/live/jAlC5oKvd3A?si=NtvUEIzyfNAxadAC
Programação:
19h – Abertura com Presidente da Sucesu/PR
19:10h – A cibersegurança na visão do CIO
19:30h – Estudo de caso: Perícia em Incidentes Cibernéticos
20:10h – Masterclass técnica: Armazenamento e preservação de evidência em disco

Mitigação de subdomain takeover em arquiteturas multicloud: governança de registros CNAME ´órfãos e gestão de superfície de ataque

A dinamização da infraestrutura corporativa proporcionada pelo paradigma da computação em nuvem (Infrastructure as a Code – IaaC) ampliou a frequência de criação e desativação de recursos lógicos de borda. Contudo, a ausência de sincronismo entre os ciclos de vida dos ativos em nuvem e a gestão da zona de resolução de nomes (DNS Zone Management) introduz uma vulnerabilidade crítica denominada Subdomain Takeover (Sequestro de Subdomínio). A presença de registros do tipo CNAME órfãos (Dangling DNS Records) permite que agentes externos reivindiquem o controle de subdomínios legítimos, contornando mecanismos perimetrais de autenticação e comprometendo a reputação institucional.

A mecânica vetorial do Subdomain Takeover consolida-se quando um subdomínio corporativo aponta seu registro CNAME para um nome de domínio totalmente qualificado (FQDN) provido por um provedor Third-Party ou Hyperscaler (como repositórios de armazenamento ou serviços de hospedagem de aplicações). Caso o recurso externo seja descomissionado sem a remoção prévia do ponteiro no servidor DNS autoritativo da empresa, o subdomínio permanece resolvendo para um destino não alocado. Atacantes munidos de ferramentas de enumeração identificarão a resposta do servidor de destino (404 Not Found ou NoSuchBucket) e registrarão um recurso homônimo na plataforma de nuvem, passando a responder pelo subdomínio com autoridade legítima perante navegadores e clientes.

A mitigação dessa classe de ameaça exige a implementação de rigorosos protocolos de governança de superfície de ataque e automação de inventário. É imperativo adotar políticas de Life-Cycle Management integradas às esteiras de DevSecOps, garantindo que qualquer desalocação de infraestrutura em nuvem execute hooks automatizados para deleção dos registros DNS correlatos. Complementarmente, as equipes de segurança defensiva (Blue Team) devem implantar soluções de monitoramento contínuo de superfície de ataque externa (EASM), efetuando testes sintéticos de resolução CNAME e aplicando verificações de integridade nos cabeçalhos HTTP retornados, neutralizando canais ocultos de personificação e roubo de credenciais corporativas.