Computação forense no registro do Windows: parsing de artefatos de execução UserAssist e análise de chaves de persistência em investigações periciais

A condução de investigações em resposta a incidentes cibernéticos e perícias judiciais em sistemas operacionais Microsoft Windows exige o exame minucioso de estruturas de registro não voláteis. Quando um agente malicioso ou um usuário interno não autorizado executa programas para exfiltração de dados ou movimentação lateral, o sistema operacional gera registros históricos automáticos de execução. No ecossistema pericial, a extração e o parsing da estrutura UserAssist, associada ao arquivo de colmeia de usuário NTUSER.DAT, combinados à auditoria de chaves de persistência do registro, constituem evidência probatória irrefutável da execução deliberada de artefatos lógicos.

O registro UserAssist armazena metadados operacionais do Windows Explorer utilizando uma camada simplificada de ofuscação baseada no algoritmo de substituição ROT13. Ao decodificar as subchaves {CEBFF5CD-3522-4E45-B0A7-739130BEB8FE} (para atalhos) e {F4E5762B-B2A2-4D43-B6EA-4C077B23E3ED} (para todos os executáveis), o perito computacional obtém uma tabela correlacional contendo o caminho absoluto do arquivo executado, o número total de execuções (Run Count) e a marca temporal da última execução no formato UTC FILETIME. A presença de entradas no UserAssist desmistifica a hipótese de presença meramente passiva do arquivo no disco, comprovando o acionamento consciente da aplicação pela conta de usuário sob auditoria.

Complementarmente, a análise de persistência exige o exame detalhado das chaves HKLM\Software\Microsoft\Windows\CurrentVersion\Run e HKCU\Software\Microsoft\Windows\CurrentVersion\RunOnce, bem como o parsing do diâmetro Shimcache (AppCompatCache) e Amcache.hve. A triangulação sintética desses artefatos permite reconstituir a linha do tempo (Timeline Analysis) do incidente com alta densidade científica, rastreando a instalação de portas dos fundos (Backdoors) e ferramentas de tunelamento. A consolidação desses vestígios em laudos e pareceres técnicos periciais garante a irrefutabilidade das conclusões em âmbito corporativo e judicial.

Guia de sobrevivência digital — Capítulo 13: o golpe do falso PIX por engano e a forma correta de devolução bancária

A consolidação do Sistema de Pagamentos Instantâneos (PIX) como o principal meio de transação financeira no Brasil trouxe eficiência operacional, mas também estimulou a engenharia social voltada à exploração de regras de compensação e estorno bancário. Entre as fraudes de maior incidência sobre usuários finais destaca-se o Golpe do Falso PIX por Engano, no qual estelionatários combinam a manipulação psicológica com o uso indevido do Mecanismo Especial de Devolução (MED), estabelecido pelo Banco Central para a mitigação de fraudes em arranjos de pagamento.

A mecânica do ataque desenvolve-se em duas variantes operacionais principais. Na primeira, o atacante utiliza credenciais bancárias comprometidas ou contas de “laranjas” para efetuar uma transferência espúria para a vítima, solicitando em seguida a “devolução” manual para uma chave PIX pertencente a um terceiro. Após a vítima efetuar a nova transação com recursos próprios, o titular da conta originária notifica a instituição financeira por fraude, acionando o MED e resultando no bloqueio e estorno do saldo inicial da conta da vítima. Na segunda variante, o atacante simula o agendamento de PIX ou envia comprovantes sintéticos adulterados via aplicativo de mensagem, induzindo a vítima a transferir valores sem a confirmação prévia no extrato autoritativo da instituição receptora.

Sob a perspectiva da educação digital e segurança transacional, a mitigação do risco de fraudes em pagamentos instantâneos exige a disseminação rigorosa do protocolo de devolução sistêmica. É imperativo instruir os usuários a jamais realizarem novas transações manuais com base em Chaves PIX fornecidas fora do ambiente bancário, adotando exclusivamente a funcionalidade nativa de devolução (Return Transaction) disponível no histórico de transações da aplicação. Esse procedimento garante o estorno no nível de infraestrutura de liquidação, preservando a rastreabilidade da criptografia de camada de enlace e a neutralização de vetores de extorsão e lavagem de capitais.

Ergonomia cognitiva e a Síndrome do Impostor no setor de tecnologia: mitigação da sobrecarga de demandas contínuas e valorização do mérito profissional

A dinâmica de trabalho contemporânea no ecossistema de Tecnologia da Informação e Cibersegurança é caracterizada por ciclos de desenvolvimento ágil e resposta contínua a incidentes. A ausência de intervalos de descompressão entre a conclusão de marcos operacionais (milestones) e o início de novos ciclos de entrega submete os profissionais a um estado de cobrança ininterrupta. Sob a perspectiva da ergonomia neurocognitiva e da psicologia organizacional, essa esteira contínua de demandas atua como um catalisador para o surgimento ou agravamento da Síndrome do Impostor, comprometendo a autoconfiança e a retenção de talentos nas organizações.

A gênese da Síndrome do Impostor em ambientes de alta densidade técnica decorre da dissonância entre a alta complexidade das tarefas executadas e o viés cognitivo de desvalorização do próprio mérito. Na ausência de ritos formais de encerramento e validação de entregas, o indivíduo tende a internalizar um padrão de atribuição causal disfuncional, creditando o êxito a fatores externos e temporários — como sorte ou circunstâncias favoráveis —, enquanto atribui eventuais falhas a limitações de competência pessoal. A exposição prolongada a esse ciclo semiótico gera ansiedade crônica, hipervigilância e redução progressiva da capacidade de inovação.

A mitigação desses passivos psicológicos e institucionais exige a reestruturação dos modelos de liderança e a implementação de práticas de gestão focadas na sustentabilidade humana. Torna-se imperativo que comitês executivos e gestores de engenharia instituam marcos claros de reconhecimento de conquistas, promovendo a avaliação retrospectiva das vitórias técnicas alcançadas antes da alocação de novos projetos. Paralelamente, os profissionais devem ser incentivados a exercer a desconexão digital efetiva durante os períodos de repouso, compreendendo que a restauração da capacidade analítica e a consolidação do conhecimento exigem períodos de repouso neurocognitivo e vivência familiar plena.

Resiliência cibernética em infraestruturas portuárias: mitigação de ataques ao sistema TOS e proteção do plano de estiva marítimo

A consolidação do comércio marítimo internacional e a introdução de navios porta-contêineres de ultra grande porte (ULCVs) exigiram a automação intensiva da gestão de pátios e cais de atracação nos portos globais. A orquestração das operações físicas nos terminais é executada por Sistemas de Operação de Terminais (TOS – Terminal Operating System), cuja arquitetura de software centraliza o rastreamento de cargas, o agendamento de portões e a elaboração do plano de estiva (Stowage Planning). Contudo, a integração desses ecossistemas a redes externas e a troca assíncrona de arquivos de dados via troca eletrônica de dados (EDI) expõem a infraestrutura portuária a severas ameaças de ataques físico-cibernéticos (Cyber-Physical Attacks).

A vulnerabilidade vetorial sobre os sistemas TOS decorre da manipulação de mensagens padronizadas da indústria marítima, em especial o formato EDIFACT BAPLIE, utilizado para transmitir o mapa de baías, posições e pesos dos contêineres alocados na estrutura da embarcação. Agentes maliciosos que obtenham acesso não autorizado às interfaces de comunicação do TOS podem injetar alterações nos atributos de peso bruto verificado (VGM – Verified Gross Mass) ou alterar o indicativo de cargas perigosas (IMDG Code). A manipulação estocástica do plano de estiva altera o cálculo do centro de gravidade e da altura metacêntrica da embarcação (GM), induzindo estresse estrutural no casco e aumentando a suscetibilidade a acidentes marítimos graves durante a navegação.

A preservação da continuidade operacional e a mitigação de ataques cibernéticos em infraestruturas portuárias exigem a implementação de um modelo de defesa em profundidade alinhado ao Código Internacional para Proteção de Navios e Instalações Portuárias (Código ISPS). Torna-se imperativo adotar mecanismos de cifragem de ponta a ponta e verificação de irrefutabilidade nos fluxos EDI, eliminando a aceitação de arquivos desprovidos de validação de origem. Adicionalmente, as redes de controle de automação de guindastes de cais (Ship-to-Shore Cranes) e pontes rolantes de pátio (RTGs) devem ser submetidas a uma microssegmentação rígida, combinada ao uso de sensores de checagem física de peso em tempo real no momento do içamento, neutralizando desvios lógicos antes do posicionamento definitivo da carga a bordo.

Sec Day Sucesu/PR – Conectividade e Cibersegurança

Em 12/08/2026, o Grupo Técnico de Cibersegurança do Grupo de Usuários CIO’s da Sucesu/PR, reuniu-se no Vale do Pinhão em Curitiba/PR, com transmissão ao vivo pelo Youtube, para a seguinte pauta:

O material das palestras pode ser acessado através do hiperlink nos títulos das formações (acima).

A íntegra do evento pode ser vista através do Youtube, no link https://youtu.be/jAlC5oKvd3A

Agradecemos a todos os participantes presenciais e remotos, aos membros do GU que transmitiram, ao Presidente da Sucesu/PR Sr. Fernando Misato e à Assessora Executiva Sra. Marise Pereira que viabilizou o evento.

Aos participantes que desejarem o Certificado de Participação, por gentileza enviem um e-mail com o assunto Certificado Sec Day para [email protected].